segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HOJE, EU TIVE UM SONHO.

                     HOJE, EU TIVE UM SONHO.

          Hoje eu acordei com um sentimento de que o tempo havia passado. Tive um sonho muito bom, um sonho daqueles que nos faz sentir jovem ainda. Foi um sinal de que o tempo realmente passou. Quando você se sente saudoso de algo que não fez, algo que não viveu e percebe que dificilmente conseguirá realizar, sua mente envelheceu, seu coração perdeu a esperança e você se tornou um velho chato e rabugento, mesmo que só tenha “vinte e poucos anos”.
          A vida é muito engraçada, às vezes, penso que fazemos parte de uma grande comédia que nos move num episódio teatral. Cada um tem seu epílogo: uns, no momento mais sublime e de maior sucesso, outros, desejosos de que o ato já tivesse se encerrado há muito tempo. A coisa boa disse tudo é que mesmo representando muito mal essa tragicomédia, nos tornamos uma celebridade no meio em que atuamos.
          Na juventude buscamos as técnicas de envelhecimento – aumentamos a idade na carteira de estudante para entrar nos cinemas e bailes, curtindo aquilo que julgamos ser um privilégio dos mais velhos. Fazemos – nós homens – a barba mesmo que não a tenhamos, na esperança de que ela cresça mais rápido. As meninas... bem, deixa isso pr’a lá. Com o passar do tempo achamos aqueles pêlos indesejáveis; diminuímos a idade para parecer experiente, mesmo tão jovem.
          As roupas, Ah!!! As roupas; tem mulheres que não percebem o ridículo que se tornam querendo parecer uma menininha, quando a pele dá sinais de isquemia.
          Se pudéssemos olhar quadro a quadro o desempenho de nossos atos – como um diretor sentado à frente do palco corrigindo cada palavra, cada figurino, cada gesto – nos tornaríamos melhores atores. Dessa forma, deixaríamos de reclamar uns dos outros e prestaríamos mais atenção em nós.
Já dizia o saudoso poeta: “o tempo não pára”. Verdade absoluta, até mesmo diante da teoria da relatividade. Fórmulas são produzidas em produtos que retardam o envelhecimento, até a pressuposta máquina do tempo – a utopia de todos nós – teimam em fazer-nos crer que é viável. Mas, o que realmente envelhece?
          Alguns anos atrás conheci uma jovem senhora com seus 65 anos de idade bem vividos. Sua conversa era atualíssima, o vestuário de muito bom gosto, capaz de causar inveja a “Gisele Bundchen” em seus 1,79 de altura. Bom gosto para música, decoração e a capacidade incrível de superar uma noitada dançando ou acampando com um grupo de adolescentes. Era inamovível no seu bom humor; alguns minutos de conversa e nem se perceberia a diferença de idades. Qualquer um se apaixonaria facilmente, pois, sua vivacidade e alegria podiam fazer com que o tempo não fosse convidado a permanecer.
          Dizem que o idoso só tem valor na hora de pagar um plano de saúde, já os objetos velhos são vistos como antiguidades e por isso valem muito. Objeto é antiguidade valorizada; ser humano é velho mesmo e inteiramente sem valor.
          O fato é que o idoso jamais terá o mesmo valor do que qualquer objeto considerado como antiguidade. Sendo que, enquanto que o ser humano quanto mais vive é considerado apenas um velho indesejado do qual, na maioria das vezes, todo mundo quer ficar livre. Mas o que realmente importa não é o tempo contado entre dias, meses e anos, mas sim, o tempo relativo derivado do produto da aceleração da mente em relação à idade corpórea “E=M.C.”.
          Eureka!!! Diria o cientista pelado correndo pelo meio da rua após uma grande descoberta. Quem poderá sustentar tal afirmação? Não somos todos nascidos numa tabela cronológica e o que nos difere são justamente as idas e vindas de nosso astro rei! Este sim, a grande celebridade do espaço visual permitido; seu desempenho é brilhante, nunca falha, mesmo que não o possamos ver, assim como o tempo que nunca pára; sujeito a ele estamos, pois, na sua ordem definida, marca as estações, os dias e as noites. Desta forma, é que o mundo se torna engraçado, pois enquanto um lado dorme, o outro está em plena atividade e isto no mesmo horário paradigmático.
          Estou extasiado; com toda essa troca de idéias; posso ter cem anos e a minha “E=M.C.”, ser igual à de um jovem adolescente, assim como, um jovem pode ter a mesma “E=M.C.” de um velho.
“subo neste palco, minha alma cheira a talco, como um bumbum de nenê”.
          É este o palco da vida: a cena não criada, a palavra não proferida, o sonho não sonhado, jamais se tornarão realidade na busca do espaço x tempo, pois, as câmeras não tiram os olhos de você. Um dia nos depararemos com o DVD – ou o que o venha substituir – de nossas ações e é possível que ele esteja em branco, quer dizer, em falta. Portanto, faça algo, mesmo que seja uma atuação medíocre, mas, tente, você consegue, afinal, não é fácil para ninguém, somente livres-se das cordas que o guiam, como no show do “n’sinc”; tome a pílula azul e seu mundo se tornará real como em “matrix”. Faça acontecer, pois, o tempo, este não espera. Mas, não acredite em ninguém com mais de trinta...
Por Paulo Figueiredo


                   Tempo

Oh! Tempo,
Há quanto tempo não tenho tempo para ti?
Trouxeste-me vida, a luz da minha vida,
a infância tão querida.
Trouxeste-me os anseios da juventude,
tão plena de amizade e saúde.
Trouxeste-me os anos dourados,
que impregnados de glamour e beleza
fizeram-me deixar-te de lado.

Oh! tempo,
não me deixes ir, sem antes sentir;
aquilo que há de mais bonito.
Já curvado pela idade e cansado de lutar
finalmente te encontrei,
mas, agora preciso partir,
para unir-me a ti
no infinito. 
Por Paulo Figueiredo 

MEU ÚLTIMO DESEJO

     A Velhice é como a inocência das crianças; o abraço descomprometido, o beijo puro do afeto sincero, o afago gostoso de um dia terminado.
     A impureza está nos olhos dos desesperados, dos mal amados, dos que não dormem para ouvir a conversa alheia.
     Sinceridade elogiosa dos corojasos, que não permitem ser feridos nos seus mais puros sentimentos. Viva os corajosas, viva aos que falam o que pensam, viva la vida louca...
     Senti vontade de ser criança novamente, de me atirar de peito aberto no desconhecido, desbravar a natureza virgem, explorando os caminhos do crescimento. De onde vem tanta ingenuidade sábia? tanta esperteza pura?
     O Tempo passado se constitui de células que decifram os pontos marcados na linha do tempo da vida. Só lembramos desses pontos se eles forem significativos. A impressão que se tem é que o tempo passa depressa ou devagar dependendo da quantidade de pontos demarcados nas lembrança positivas ou negativas de sua vida.
     Hoje tentei ser criança; não tendo medo de fazer uma pergunta embaraçosa, andando de bicicleta e lembrando das mãos que seguraram-me pela primeira vez; dos sinos de metais que soavam nas manhães de domingo. Hoje pensei em ser criança novamente me despindo para nadar num riacho de águas tranquilas, subindo em árvores na busca das frutas primaveris; dos dentes de leão que gentilmente soprávamos nas tarde de verão.
     Hoje lembrei de voce.  Das marcas deixadas pela linha do tempo que não importam mais, elas mostram a sabedoria agora avaçada na ingenuidade pura.
     Gostei de voce, amei voce.... perdi voce..... mas só por um momento.
     O ciclo da vida continua, o tempo não pára, os que te detestam passam, suas opiniões não importam, o amor sempre ficará independente das marcas do tempo, porque ele está no coração, na mente e na alma.
    Viva la vida louca, viva as linhas desenhadas que o tempo deixou em seu corpo. me abrace na mais pura inocência e me deixe novamente ser criança.

Por Paulo Figueiredo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

AINDA ACREDITO NO SER HUMANO!

   AINDA ACREDITO NO SER  HUMANO!
 

- Pai, tô com fome!!!


Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:

     O pai, Agenor , sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência....

- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!

     Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...

Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:

- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!

   Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...

Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...

Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...

Para Agenor, uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá....

Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...

A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...

Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:

- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!

Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...

Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...

Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...

Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...

Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria. Sentindo empatia, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...

Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...

Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...

Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...

No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...

Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia por que estava ajudando...

Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...

E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...

Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...

Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...

Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...

Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...

Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...

Mais dez anos se passaram, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...

Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...

Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...

Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...

Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho:
'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço.. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma.. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'
Autor desconhecido, com acrescimo por Paulo Figueiredo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

TÚNEL DO TEMPO

                              TÚNEL DO TEMPO

Enquanto assistia a um programa de televisão, numa TV turbinada de 14 polegadas, sobre a língua portuguesa e as culturas desses países num leito de hospital; percebi que eu era fruto dos enlatados americanos. Sem compreender por que sentia uma revolução dentro de mim, lembrava-me dos tempos de criança:
 - National Kid lutando contra os Incas Venuzianos, - Auika!
 - Superman com seu pega rapaz voando da janela.
 - O cheiro do hot-dog geneal do Maracanã.
Nascido nos Estados Unidos do Brasil sonhava com a minha terra natal: a extinta Guanabara da bandeira dos golfinhos;
- Cadê os golfinhos da baía ou será Bahia, já não sei mais, o que fizeram?
- Onde estava eu quando meu cérebro era abduzido!
- Em que momento fui clonado no sexto dia?
Lembro-me da frigider com um pinguim em cima dela, da telefunken, nossa primeira televisão a cores que na verdade não era a cores, possuía um sistema revolucionário de tela colorida que deixava o branco azulado.  Lembrava das brincadeiras de infância: a rua cheia ao entardecer, disputávamos quem seria o grande chefe, ninguém queria ser a carniça.
- Cemitério pegou fogo, alguém gritou!
Aquele bando de crianças correndo para a primeira bica que se conhecia para encher as burras d’água e cuspir nos pés da carniça.
- Unha de gavião, eu dou ninguém dá...
Que delícia eram as tardes louras dos tempos de criança. Rodar pneu, bola de gude:
- Marraio, companha, bi companha... olha o rapa!...

- Como assim?
- O que você quer dizer?
- Hoje não tem crianças nas ruas?
- O que fizeram ou não fizeram; não fazem mais filhos hahahahaha, 
- O que?
- abduzidos?
- Herodes está de volta?
- Não! pior?
- As crianças, o que?
- Estão na rede?
- LCD! Xbox! Nintendo!  O que é isso?  Uma variação do LSD. X-man, não entendo....
Os jogos e as brincadeiras agora são via rede de computadores,
- Cruz credo, parece piada. As gatinhas namoram por msm, Orkut, FACEBOOK o que é isso?
- Ah! Tá! uma pandemia mundial, não deixam as pessoas saírem nas ruas para não se contaminar; eu sabia que isso ia acontecer, os filmes de Flash Gordon já falavam sobre essa época....
Lembro-me dos passeios de aero-willians, rural, zinca, que fazíamos; não tinham cinto de segurança, era uma diversão só, pular por cima dos bancos... e do Galaxi que meu pai possuía com as indas e vindas da churrascaria Schiavini na Dutra aonde íamos todos os domingos para almoçar.
- Menina não vá para a barra com seu namorado lá é deserto e perigoso. Lugar abandonado pelo tempo, quem diria o que aconteceu com ela.  
Esse mundo está louco.
- Cultura Brasileira? Língua brasileira? Sandy e Junior? temos representação na ONU? 
- Nosso país não sofreu com a queda da economia americana? Um sindicalista Presidente da Republica? Uma mulher presidente da República?
-  Moçinha em que ano estamos? ....
- Não!!! um Presidente Americano negro? uauuuu
- Pior? o Zagalo está cotado para ser técnico da Seleção para 2014.
- Nãooooooooo, não, Isso é demais me tira o tubo de oxigênio que não suporto viver num mundo com tantas mentiras na televisão...
Por Paulo Figueiredo

sábado, 16 de julho de 2011

A ÚLTIMA LÁGRIMA

        São 2 horas da madrugada; estou aqui acordado ao som do Bread, na voz melódica de David Gates lembrando do passado. Lindos momentos que infelizmente não voltam mais; e você que está do outro lado desta tela a me ouvir com seus olhos, tentando imaginar porque escrevo estas coisas.
        Por que não consigo dormir? ...
        Se por um momento pudesse fechar os olhos e imaginar-te a meu lado;... você que um dia me fez sentir o perfume do amor. Desejei que o tempo parasse, só para olhar teu sorriso eternamente.
        Se por um momento atravessasse a camada tênua que nos separa agora, poderia sentir o suave dom da tua voz novamente. Não me deixe te esquecer. Por onde andar, meu coração estará tão perto como doces nuvens que atravesso quando penso em ti. Nunca te esquecerei, minha lembrança é tão vívida desde que nasci. Você me deu seu melhor sorriso, me afagou em seus braços, me cobriu de beijos e ternura; como posso me esquecer logo de voce; que me acudiu quando caí, que torceu por mim quando saí de casa pela primeira vez para estudar, que esteve presente em todos os momentos do meu aprendizado. Queria ter tido tempo de te apresentar a meus filhos, sei que iria amá-los como amou a mim; mas voce partiu antes que eu pudesse ser um homem. Hoje vivo das lembranças que me deixastes.  Sei que te encontrarei um dia para  abraçar-te com aquele abraço que não pude dar, olhar em teus olhos e colher a última lágrima.
Por Paulo Figueiredo
       
       De longe veio uma sombra
e o leite quente não mais estava sobre a mesa.
O cântico do Uirapuã não mais se ouviu,
apenas um choro e um nó amargo no peito.
      Quando o vento batia de encontro às janelas,
Trazia a saudade de velhos tempos,
Onde está você?
Por Paulo Figueiredo

terça-feira, 12 de julho de 2011

UM HOMEM CHAMADO VITOR

                                                 VITOR 

          Esse texto é um relato verídico de um homem que vamos chamá-lo de Vitor.
          Depois de meses sem encontrar trabalho, Vitor viu-se obrigado a recorre à mendicância para sobreviver, coisa que o entristecia e envergonhava muito.
          Numa noite fria de inverno, encontrava-se nas imediações de um clube social próximo de Brasília, quando viu um casal chegar num belo carro e vestidos para uma noite muito inspiradora. Vitor aproximando-se deles pediu algum trocado para poder comprar algo para comer. – fazia dias que não comia nada quente para afagar o frio da noite que lhe feria a alma.
          -   sinto muito, amigo, mas não tenho trocados – disse o homem. Sua esposa, ouvindo a conversa perguntou:
          -   que queria o pobre homem?
          - dinheiro para comer. Disse que tinha fome – respondeu o marido.
          - Lorenzo! Não podemos entrar aqui, participar dessa festa com tanta fartura da qual não necessitamos e deixar um homem faminto aqui fora! Exclamou à senhora.
          - hoje em dia há um mendigo em cada esquina! Aposto que quer dinheiro para encher a cara ou usar drogas!
          - tenho algum dinheiro comigo, vou dar-lhe alguma coisa!
          Mesmo de costa para eles, Vitor ouvia a tudo que diziam. Envergonhado, queria se afastar depressa daquele lugar, mas neste momento ouviu a amável voz da mulher que dizia:
          - meu bom homem, tem aqui algum dinheiro. Não precisa se envergonhar, você não é diferente só porque hoje precisa pedir para comer, você é um filho de Deus e em algum lugar existe um trabalho para você. Espero que o encontre.
          - obrigado senhora. Acaba de me fazer sentir melhor e capaz de começar novamente. A senhora me ajudou a recobrar o ânimo! Jamais esquecerei sua gentileza.
          - somente compartilhe com mais alguém que encontrar pelo caminho desse que posso chamar de “o pão da vida” – disse ela com um largo sorriso dirigindo mais a um homem do que a um mendigo.
          Vitor sentiu como se uma descarga elétrica lhe percorresse o corpo. Encontrou um lugar barato para se alimentar um pouco. Gastou a metade do que havia ganhado e resolveu guardar o que sobrara para o outro dia. Comeria o “pão da vida” por dois dias. Uma vez mais aquela descarga elétrica corria por seu interior.
          - um momento! Exclamou, não posso guarda isto somente para mim. Parecia-lhe escutar a melodia de um velho hino que tinha aprendido quando criança. Neste momento, passou a seu lado um velhinho.
          - quem sabe este pobre homem tenha fome, pensou – tenho que partilhar o que aquela senhora tão gentilmente me havia dado.
          - ouça! Exclamou Vitor dirigindo-se ao velho homem.
          - Gostaria de entrar e comer uma boa comida quentinha?   O velho se voltou e encarou-o sem acreditar.
          - você fala sério, amigo? O homem não acreditava em tamanha sorte, até que estivesse sentado em uma mesa coberta, com uma toalha e com um belo prato de comida quente na sua frente.
          Durante a ceia, Vitor notou que o homem envolvia um pedaço de pão com carne em sua sacola de papel.
          - está guardando um pouco para amanhã? Perguntou
          - não, não. É que tem um menino que conheço onde costumo dormir que estava passando mal e com muita fome, vou levar-lhe este pão.
“o pão da vida”! Recordou novamente as palavras da mulher e teve a estranha sensação de que havia um terceiro convidado sentado naquela mesa. Ao longe os sinos da Igreja pareciam entoar novamente a melodia do velho hino de infância. Os dois homens levantaram-se e caminharam até o local onde o menino se encontrava. Lá chegando partilharam do pão com ele, que o comeu com muita alegria. Ao largo passava também um cachorrinho bem tratado mas que parecia perdido, o menino chamando-o partilhou de parte de seu pão com ele. O “pão da vida” havia alcançado até a um pobre animal.
          - Até outro dia disse Vitor ao velho e se despediu. O cachorro acompanhou Vitor pela noite, ao brincar com ele, percebeu que o animal tinha uma coleira com um endereço gravado nela. O Local era bem distante dali, percebera que o cão tinha um dono e um lar e estava perdido, resolveu levá-lo até seu dono, assim que amanhecesse. Havia passando aquela noite junto com o animal. Ao chegar no local indicado, depois de uma tarde inteira de caminhada, bateu a porta; um senhor a abriu e logo reconheceu o cão, que latia como se também o tivesse reconhecido. O homem estranhou as roupas rasgadas do mendigo e imaginava que o havia roubado e agora estava devolvendo para receber ganhar algum dinheiro.
          - você veio atrás da recompensa?  disse o homem.
          - que recompensa?
          - Minha filha ficara doente com seu sumiço, e eu coloquei uma recompensa no jornal para quem o encontrasse, sou um empresário e não suportava ver minha filha doente.      
          - Espere que vou lhe pagar, afinal você o trouxe de volta.
          - não posso aceitar. Disse Vitor ao homem, que olhou para ele espantado não acreditando nas suas intenções.
          - somente queria que retornasse a seu dono, pois me fizera companhia numa noite muita fria, mas ele tinha um lar para onde voltar. O Homem surpreso com a resposta de Vitor e se compadecendo daquela pobre alma disse:
          - posso fazer algo pelo senhor! Vitor já não se sentindo um mendigo, disse: - gostaria de conseguir um trabalho, se puder me dar algo para fazer, serei inteiramente grato.
          - venha ao meu escritório amanhã bem cedo; com certeza terei algo para uma pessoa íntegra como você. Ao despedir-se deu-lhe uma peça de roupa, um par de sapatos e algum dinheiro, pedindo que o aceitasse como parte do adiantamento para que pudesse fazer a barba tomar um bom banho e dormir uma noite numa hospedaria.
          Ao voltar pela avenida, com o semblante da senhora que o havia ajudado, agora não mais somente lembrará a melodia do hino que ouvira em sua infância, mas cantava com alegria. “Partilhe o pão da vida, não o canseis de dar, mas não dês as sobras, daí com o coração, mesmo que doa.”  
Autor desconhecido - atualizado por Paulo Figueiredo               

                   Sinos de Metal

Sonhos lindos de criança
feito areia no portão
Sopra o vento, e a ribanceira
vão de encontro ao portão.
          Ai! Ai! De mim
          vou rever a solidão
          Ah! Olhos chorosos
          vão rolar as lágrimas.
Onde estiver meu coração
só vai levar saudades
dos sinos de metal
que soam na cidade
          Cresce em mim a esperança
          com a força das badaladas
          dos sinos de metal  
          que soam na cidade
E a força nasceu
do profundo silêncio
dos corações sofredores e
não da alegria.
Por Paulo Figueiredo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

NAS ONDAS DO RÁDIO

                NAS ONDAS DO RÁDIO

          “Like flowers need rain, you know, I need you”!
          Há muitos anos essa música do grupo “América” não me sai da cabeça, é uma canção muito bonita que fala de amor e da necessidade de se estar juntos.
          Dentro de um campo do cerrado no planalto central, observava a poesia que emanava das forças da natureza. Podia ver o sol se pondo junto à linha da estrada, um vento suave e doce fazia bailar os pequenos arbustos como um grupo de dança folclórica. “A liberdade tem cheiro de mato” exclamei! Estava tudo tão perfeito...
          As horas se passavam e eu não queria deixar aquele lugar, era como se estivesse magnetizado olhando o horizonte da curvatura da terra e medindo os centímetros da movimentação do sol junto a ele. De repente toda essa harmonia fôra quebrada pelo tilintar das ondas de rádio, trazidas pelas correntes invisíveis.
          - Alô onde estás! Quero ouvir a tua voz. Não houve resposta... A noite caía bem devagar como uma ampulheta a contar os grãos de areia, o coração fora inundado pela saudade, e a paisagem se tornara uma penumbra a ser esmaecida.
          - “diz agora o que eu faço pr’a viver,
se a cada dia não consigo te esquecer”... - Michael Sullivan     Meu subconsciente não parava de cantarolar esta canção, sentado dentro do meu carro te imaginava pr’a vida inteira, meu peito abrira em soluços: de que serve o cheiro de mato, o vento a tocar em meu rosto, o gosta da liberdade, se seu preço é caro demais.
          Como uma miragem no deserto, não pude deixar de notar que a paisagem perdera a sua realeza com a chegada da noite. O silêncio se tornara cúmplice, não percebera que os raios de sol é que davam vida e harmonia.
          “Metade de mim, te ama e te adora,
          outra metade de mim precisa ir embora,
         estou com medo de ser feliz outra vez, então vem, vem viver outra vez, aqui”... – Vanessa Camargo
          Com o ouvido ligado nas ondas do rádio, ouvia outra canção que afagada a minha dor; ainda conectado no horizonte que lembrava mais uma vida sem altos e baixos, tentava equalizar a mente e o coração para ritmarem numa só freqüência.
          “Eu vou equalizar você,
          numa freqüência que só agente sabe,
          te transformar numa canção
          pra ter você dentro de mim” – Pitty.
          Não pude deixar de notar o mugido da boiada que de longe também demonstravam passividade, harmonia e cumplicidade. Senti vonta de ser criança e em teu seio afagar a minha fome... sorte do bezerro...
          “101,7 FM... eu tô cansado da fazenda
          e de ver cara de boi,
         eu vou pra onde a minha mulher foi” – Rio Negro e Solimões.                                                                                                                                                                                                                                       Por Paulo figueiredo                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
  
A Liberdade tem cheiro de mato.

Sinto a briza no ar.
A liberdade tem cheiro de mato.
Vislumbro o horizonte por entre os arbustos.
As árvores bailam ao som do vento.
          Alô! Onde estás
          estou esperando tua resposta
          pois, não acredito na distância.
          Toque-me pelas ondas de rádio    
          quero ouvir tua voz com ressonância
Não há liberdade
Sem você ao meu lado
se é o teu amor que me alimenta,
de que me adianta o cheiro de mato.
          A briza agora não importa
          te imaginei pra vida inteira
          diz agora o que fazer
          se eu tenho inveja do vento que te toca
          e do sol a te aquecer
O Horizonte faz lembra
uma vida sem viver
de que adianta o pôr do sol
se minha luz é você.
Por Paulo Figueiredo